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ESPADAS & SIMBOLISMO
Os rituais mais comuns com o uso das espadas
A espada representou, desde cedo, um elemento ligado ou à status ou a honra. Seu simbolismo ia além da simples imagem de instrumento de matar. Era algo que representava alguma coisa a mais. Diferentes culturas tinham esta mesma noção fossem elas européias, asiáticas ou africanas, muito embora fossem por motivos diferentes.
Neste material de apoio temos nossa atenção principalmente direcionada para a compreensão européia sobre o assunto. Este direcionamento não é meramente aleatório, mas uma quase imposição do tema. O universo de RPG, embora tenha pinceladas em seus cenários de elementos orientais, é quase que em sua totalidade uma representação esteriotipada da Europa medieval.
Na Europa a espada sempre esteve envolvida por uma aura simbólica, mas que podemos dividir em duas fases – uma antes do cristianismo e outra depois.
Até o cristianismo (isso quer dizer principalmente durante os adventos dos Impérios Romano e Grego, principalmente) a espada representava algo um tanto mundano. Ela normalmente era o símbolo da bravura pessoal de um guerreiro ou de um governante. E este simbolismo era percebido muito mais pelos ‘outros’ do que pelo próprio guerreiro. Quando lutavam contra um guerreiro de renome, reconhecido por inúmeras batalhas vencidas, os adversários reconheciam a espada dele como uma continuidade de sua fama, uma representação de tudo aquilo o que ele trazia como experiência e representativo de orgulho. Ou quando lutavam contra o governante de uma nação, sua espada era vista como o símbolo de todas as pessoas que este governante tutelava ou o poder de todo o seu exército.
Após o cristianismo as coisas mudaram aos poucos. Não é novidade que o maior simbolismo surgido na Idade Média foi o impressionante desenvolvimento do poder da Igreja Católica em toda a população. Todos queriam viver dentro dos preceitos impostos pela Igreja. A espada aparece dentro dos textos bíblicos de forma bem clara. Ela faria parte da grande Armadura do Bem e possuidora da palavra de Deus (Hebreus 4:14 e Ephesians 6:16-18), além disso, era representada nas mãos do arcanjo Gabriel em representações artísticas da época e em outros segmentos bíblicos [e não sei qual a origem exata disto, mas muitos pesquisadores dizem que possivelmente foram partes escritas já durante o início da Idade média]. Não foi difícil que este simbolismo religioso fosse gradativamente agregando-se à espada e ao seu uso.
As espadas eram, agora, elas mesmas as detentoras do simbolismo. Um cavaleiro, ao empunhar uma espada, estaria levando consigo a simbologia do ideal religioso o qual acreditavam, do modo que vida que escolheram, e da forma que preferiram lavar suas vidas. Claro que podemos, encurtando o assunto, dizer que uma das grandes influenciadoras desta ligação da espada com a igreja foram elementos históricos externos tais como combates contra não católicos (eslavos e muçulmanos) e luta contra as heresias. [Não vou ir além no tema histórico, pois poderia levar uma centena de páginas discutindo sobre influências históricas disso].
Não posso e nem poderia dizer que isto acontecia com a totalidade dos que empunhavam uma espada, mas era quase uma regra. Outros símbolos também se agregavam às espadas, mas sempre complementares ao religioso e de abrangência mais reduzida. Assim poderiam trazer consigo a idéia de uma família como elemento de herança e nome. Poderia trazer a idéia de status de um grupo social ou nobre. Não importa o símbolo, sempre vinha agregado ao grande elemento religioso ‘católico’.
Cavaleiros ao serem ordenados recebiam bênçãos de sacerdotes católicos que lhes proferia os deveres de levar tal arma ‘tão’ ligada à instituição religiosas, impondo deveres éticos.
Com o andar da Idade Média esse simbolismo foi sendo personificado em desenhos e ornamentos nas próprias espadas. O local preferido era a empunhadura da espada que ganhava desenhos sacros ou apenas um design que lembrava um verdadeiro crucifixo.
SIMBOLISMO NOS RITUAIS
Não para menos que a espada era o ponto central de uma série de rituais dentro da Idade Média (principalmente). Toda esta aura de honra, mesclada à mística religiosa, conferiam à ela a imagem ritualística que lhe transformaram naturalmente em uma peça quase sempre presente nesses momentos.
Aqui temos alguns exemplos de rituais ou de expressões usando a espada:
‘Em minha honra’: realizar um juramento de honra sobre sua espada. Isto era feito por qualquer um segurando a empunhadura de sua própria espada (sem tira-la da bainha), ou beijando a lâmina da espada de outra pessoa (comum entre pessoas da nobreza). Se o juramento fosse quebrado, o indivíduo poderia ser executado pela sua própria espada.
‘Nomeando um cavaleiro’: este era o processo formal de conferir o título de Cavaleiro à um indivíduo. A cerimônia poderia ser muito formal com a muita pompa. O ganho de adornos (maior parte da cerimônia) era o processo do cavaleiro ganhar uma nova arma e armadura. A apresentação da espada era o ato central da ordenação freqüentemente performatizado pela nobreza (ou por outro cavaleiro) executando um tradicional discurso. Dados históricos mostram que a maioria dos cavaleiros era nomeada durante batalhas com pouca formalidade.
'Beijar a espada': a forma mais comum de confirmar um juramento ou lealdade.
'Espada e casamento': num casamento, uma espada poderia ser usada para representar um noivo em sua ausência.
'Entregando sua espada': render sua arma para outro como parte de uma rendição ou deixando-se prender. Vitoriosos requeriam a espada para quebrarem em uma cerimônia de degradação. Isto era especialmente realizado de forma interna para expulsão visto que a espada era a marca de um oficial.
'Rito de passagem': a espada é o símbolo da fidalguia (ou de um guerreiro nos mais primitivos períodos) e quando cerimonialmente apresentado pela primeira vez, o recebedor era confirmado como integrante daquela posição social. Para qualificar essa oportunidade, era freqüentemente solicitada uma prova de linhagem (herança) e treinamento, mas em especiais situações essas formalidades eram omitidas.
'Apresentar a espada': para execução.
'Cair sobre sua espada': para cometer suicídio.
'Atirado sobre a espada': ter sido morto em batalha.
'Sentenciado "à espada"': morto pela espada em execução, especialmente quando decapitando.
'Juramento de sangue': piratas e algumas culturas eram conhecidas por usar sangue para confirmar juramentos solenes. A mais comum cerimônia envolvia duas pessoas em um juramento usando suas adagas (ou espadas), abrindo um corte em suas mãos e então apertando as mãos, colocando um corte sobre o outro, numa forma de misturar o sangue. Com seu sangue unido, eles união suas almas. Quebrar este juramento era penalizado com a morte.
Os rituais mais comuns com o uso das espadas
A espada representou, desde cedo, um elemento ligado ou à status ou a honra. Seu simbolismo ia além da simples imagem de instrumento de matar. Era algo que representava alguma coisa a mais. Diferentes culturas tinham esta mesma noção fossem elas européias, asiáticas ou africanas, muito embora fossem por motivos diferentes.
Neste material de apoio temos nossa atenção principalmente direcionada para a compreensão européia sobre o assunto. Este direcionamento não é meramente aleatório, mas uma quase imposição do tema. O universo de RPG, embora tenha pinceladas em seus cenários de elementos orientais, é quase que em sua totalidade uma representação esteriotipada da Europa medieval.
Na Europa a espada sempre esteve envolvida por uma aura simbólica, mas que podemos dividir em duas fases – uma antes do cristianismo e outra depois.
Até o cristianismo (isso quer dizer principalmente durante os adventos dos Impérios Romano e Grego, principalmente) a espada representava algo um tanto mundano. Ela normalmente era o símbolo da bravura pessoal de um guerreiro ou de um governante. E este simbolismo era percebido muito mais pelos ‘outros’ do que pelo próprio guerreiro. Quando lutavam contra um guerreiro de renome, reconhecido por inúmeras batalhas vencidas, os adversários reconheciam a espada dele como uma continuidade de sua fama, uma representação de tudo aquilo o que ele trazia como experiência e representativo de orgulho. Ou quando lutavam contra o governante de uma nação, sua espada era vista como o símbolo de todas as pessoas que este governante tutelava ou o poder de todo o seu exército.
Após o cristianismo as coisas mudaram aos poucos. Não é novidade que o maior simbolismo surgido na Idade Média foi o impressionante desenvolvimento do poder da Igreja Católica em toda a população. Todos queriam viver dentro dos preceitos impostos pela Igreja. A espada aparece dentro dos textos bíblicos de forma bem clara. Ela faria parte da grande Armadura do Bem e possuidora da palavra de Deus (Hebreus 4:14 e Ephesians 6:16-18), além disso, era representada nas mãos do arcanjo Gabriel em representações artísticas da época e em outros segmentos bíblicos [e não sei qual a origem exata disto, mas muitos pesquisadores dizem que possivelmente foram partes escritas já durante o início da Idade média]. Não foi difícil que este simbolismo religioso fosse gradativamente agregando-se à espada e ao seu uso.
As espadas eram, agora, elas mesmas as detentoras do simbolismo. Um cavaleiro, ao empunhar uma espada, estaria levando consigo a simbologia do ideal religioso o qual acreditavam, do modo que vida que escolheram, e da forma que preferiram lavar suas vidas. Claro que podemos, encurtando o assunto, dizer que uma das grandes influenciadoras desta ligação da espada com a igreja foram elementos históricos externos tais como combates contra não católicos (eslavos e muçulmanos) e luta contra as heresias. [Não vou ir além no tema histórico, pois poderia levar uma centena de páginas discutindo sobre influências históricas disso].
Não posso e nem poderia dizer que isto acontecia com a totalidade dos que empunhavam uma espada, mas era quase uma regra. Outros símbolos também se agregavam às espadas, mas sempre complementares ao religioso e de abrangência mais reduzida. Assim poderiam trazer consigo a idéia de uma família como elemento de herança e nome. Poderia trazer a idéia de status de um grupo social ou nobre. Não importa o símbolo, sempre vinha agregado ao grande elemento religioso ‘católico’.
Cavaleiros ao serem ordenados recebiam bênçãos de sacerdotes católicos que lhes proferia os deveres de levar tal arma ‘tão’ ligada à instituição religiosas, impondo deveres éticos.
Com o andar da Idade Média esse simbolismo foi sendo personificado em desenhos e ornamentos nas próprias espadas. O local preferido era a empunhadura da espada que ganhava desenhos sacros ou apenas um design que lembrava um verdadeiro crucifixo.
SIMBOLISMO NOS RITUAIS
Não para menos que a espada era o ponto central de uma série de rituais dentro da Idade Média (principalmente). Toda esta aura de honra, mesclada à mística religiosa, conferiam à ela a imagem ritualística que lhe transformaram naturalmente em uma peça quase sempre presente nesses momentos.
Aqui temos alguns exemplos de rituais ou de expressões usando a espada:
‘Em minha honra’: realizar um juramento de honra sobre sua espada. Isto era feito por qualquer um segurando a empunhadura de sua própria espada (sem tira-la da bainha), ou beijando a lâmina da espada de outra pessoa (comum entre pessoas da nobreza). Se o juramento fosse quebrado, o indivíduo poderia ser executado pela sua própria espada.
‘Nomeando um cavaleiro’: este era o processo formal de conferir o título de Cavaleiro à um indivíduo. A cerimônia poderia ser muito formal com a muita pompa. O ganho de adornos (maior parte da cerimônia) era o processo do cavaleiro ganhar uma nova arma e armadura. A apresentação da espada era o ato central da ordenação freqüentemente performatizado pela nobreza (ou por outro cavaleiro) executando um tradicional discurso. Dados históricos mostram que a maioria dos cavaleiros era nomeada durante batalhas com pouca formalidade.
'Beijar a espada': a forma mais comum de confirmar um juramento ou lealdade.
'Espada e casamento': num casamento, uma espada poderia ser usada para representar um noivo em sua ausência.
'Entregando sua espada': render sua arma para outro como parte de uma rendição ou deixando-se prender. Vitoriosos requeriam a espada para quebrarem em uma cerimônia de degradação. Isto era especialmente realizado de forma interna para expulsão visto que a espada era a marca de um oficial.
'Rito de passagem': a espada é o símbolo da fidalguia (ou de um guerreiro nos mais primitivos períodos) e quando cerimonialmente apresentado pela primeira vez, o recebedor era confirmado como integrante daquela posição social. Para qualificar essa oportunidade, era freqüentemente solicitada uma prova de linhagem (herança) e treinamento, mas em especiais situações essas formalidades eram omitidas.
'Apresentar a espada': para execução.
'Cair sobre sua espada': para cometer suicídio.
'Atirado sobre a espada': ter sido morto em batalha.
'Sentenciado "à espada"': morto pela espada em execução, especialmente quando decapitando.
'Juramento de sangue': piratas e algumas culturas eram conhecidas por usar sangue para confirmar juramentos solenes. A mais comum cerimônia envolvia duas pessoas em um juramento usando suas adagas (ou espadas), abrindo um corte em suas mãos e então apertando as mãos, colocando um corte sobre o outro, numa forma de misturar o sangue. Com seu sangue unido, eles união suas almas. Quebrar este juramento era penalizado com a morte.
João Eugênio Brasil
