terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Resenha: Cosa Nostra


Cosa Nostra
- participe da máfia e se divirta -

Você é um daqueles rpgístas chatos que procuram perfeccionismo nas informações e na criação do cenário? Pois então Cosa Nostra é o seu sistema narrativo. Quando coloquei as mãos em Cosa Nostra, da editora Estúdio V, para o avaliar para a premiação do Prêmio Dragão de Papel me fiz uma pergunta que já havia feito logo que soube de seu lançamento – o que se pode esperar de um sistema baseado na clássica máfia italiana? Minha olhada inicial foi superficial na época. Depois assisti de forma rápida dois jogos e eu mesmo joguei uma vez para testá-lo, tendo uma ótima impressão, embora não o tivesse lido ainda.

Com a chegada do prêmio peguei o sistema e o esmiucei ao máximo e a minha impressão foi de puro êxtase. Como historiador que sou tinha muita curiosidade sobre o grau de profundidade que João Paulo Francisconi, autor do sistema, havia empregado e tive uma grata surpresa. Todo o sistema é uma pura obra de história. Escorre história de boa qualidade de cada uma de suas páginas. Existe visivelmente até mais interesse na história do que no próprio sistema de RPG. E isso não é uma falha, muito pelo contrário, isso é fácil de ser explicado.

Como um RPG narrativo, embora com uma mecânica própria, há menos necessidade de se perder capítulos e capítulos com tabelas e descrição de regras. O ponto central, que no final diferenciará a qualidade da seção, está nas informações sobre o cenário que ajudarão os participantes a se sentirem dentro da família.


Em um sistema narrativo, e com o Cosa Nostra não poderia ser diferente, para o jogo transcorrer de forma fluida cada participante têm a necessidade de vivenciar ser membro da máfia. Deve haver fluidez no entendimento e respeito (ou não) das regras da máfia e da família. E par isso tudo, deve haver uma compreensão do que foi e do que representou a máfia tanto para os imigrantes italianos quanto para os americanos da época.

Quanto ao sistema ele requer uma cuidadosa lida para quem ainda não está ambientado como o sistema narrativo e suas diferenças do RPG de mesa usual. Achei bárbara a escolha da construção do personagem baseado nas três formas de resoluções de problemas/conflitos. E por isso mesmo, por essas formas de resolução de problemas, que é tão importante conhecer à fundo o funcionamento da máfia e de toda a construção histórica do livro.

Outro elemento muito bem abordado é a pré-determinação da estrutura narrativa. Ela se baseia em elementos históricos e facilita muito o entendimento e desenvolvimento do jogo. Com esse entendimento fica muito mais fácil de compreender a importância e dificuldade que as cartas de apostas têm ou terão no transcorrer das etapas. As apostas, por sinal, são um elemento aleatório que enriquecem muito as disputas e a narração e fazem com que cada etapa seja repleta de emoção e façam muito ‘mafiosos’ rezarem como loucos.


Gosta de um desafio? Gosta de história? Quer se diverti? Quer testar um sistema inovador e cuidadosamente criado? Então corra e teste. 

Um comentário:

Rapha Mourão disse...

Muito legal mesmo o conceito em que o mundo foi ambientado... deve ser MUITO interessante de jogar :)