quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Confraria Entrevista: Rafão Araújo fala sobre Reinos de Ferro e Reduto do Bucaneiro


Confraria entrevista:
Reinos de Ferro e Reduto do Bucaneiro
em entrevista com Rafão Araújo


Alguns sistemas chegam de mansinho, tomando lugar aos poucos em nossas prateleiras e quando menos esperamos ele já é um de nossos sistemas favoritos. Este foi o caminho de Reinos de Ferro para muitos, gradativamente tomando um espaço importante nas prateleiras dos rpgístas brasileiros (já tendo tomado lá fora). Um sistema bruto, sujo de fuligem e extremamente viciante. Aliado à isso temos um cara apaixonado por ele e um blog de sucesso retornando. Por tudo isso a Confraria de Arton resolveu entrevistar Rafão Araújo, editor do blog Reduto do Bucaneiro, principal canal do sistema Reinos de Ferro no Brasil.

1 – Vamos começar esse nosso bate papo com uma pergunta das mais óbvias e batidas.... Como tu começas-te no mundo RPG, pois logicamente não foi com Reinos de Ferro?

Opa, primeiramente obrigado pela oportunidade. Eu tive problemas com o inicio do RPG. Dois amigos pararam de ir em casa para jogar esse jogo, mas ninguém estava disposto a ensinar, apenas diziam "Tem que assistir uma sessão", parecia uma seita e acabei não indo...rsr

Anos depois, na casa de um amigo, um cara falou que ia mestrar Vampiro: A Máscara. Eu joguei e naquela noite não dormi. Ele foi meu primeiro RPG jogado. Minha mente explodiu quando li o livro com meus 14 anos de idade. Simplesmente me senti aturdido, bagunçado, abalado, mal conseguia dormir. Foram quase 5 anos jogando-o sem parar. Ele foi um divisor de águas na minha adolescência, cada imagem, indicação de leitura, indicação de música, muito dos meus gostos foram moldados por esse jogo.

2 – Como foi o teu primeiro contato com Reinos de Ferro?

Em 2006 eu jogava D&D 3ed, a única coisa "mais séria" que tinha lido para a linha era Ravenloft, mas algo pra mim ainda não era bom o suficiente. Foi nesse ano que li sobre Reinos de Ferro na Dragão Brasil e no site da Jambô, foi amor total. Religiões monoteístas, guerras por motivos humanos, etnias, mekânicas, gigantes a vapor, tudo, absolutamente tudo foi feito para que eu amasse esse jogo. Quando coloquei as mãos no Livro do Jogador dos Reinos de Ferro, me senti como se conhecesse RPG novamente, tudo que havia lido de fantasia foi esquecido, um novo padrão de qualidade foi estabelecido naquele dia.

3 – Como todos que te acompanham sabem, o sistema da nova edição dos Reinos de Ferro é teu favorito... o que ele tem de diferente, ou de melhor, que fez com que tu acabasse por dar tanta importância para ele?

Nada pra mim é mais broxante do que um jogo onde a narrativa e descrição do jogo nos impõem um clima, mas o sistema impõe outro. Passei sérios traumas com alguns sistemas que usei, em certos momentos eu pensava "mano, tem algo errado aqui". Os personagens feitos sob as regras do D&D 3.x não parecem os mesmos personagens que vivem dentro dos mundos dos cenários oficiais. Isso acontecia muito em Reinos de Ferro. O mundo do jogo é bem centrado, ele tem um clima todo único e o sistema não ajudava. Um Gigante a Vapor ou um trem era facilmente explodido por uma magia tunada com mil talentos, um guerreiro enfrentava um exército sozinho, um personagem humano poderia um dia enfrentar e matar um dragão... Mesmo que não esteja errado, não é o clima dos Reinos de Ferro. Os próprios criadores chegaram a dizer que fizeram o que foi possível com o sistema que tinham, mas ainda não lhes agradava. O novo sistema é feito com todo o capricho pelos idealizadores do cenário, ele funciona exatamente do modo como ELES veem o jogo e isso é ótimo. Mas se eu fosse apontar 3 quesitos que fazem do jogo algo muito bom eu dirias que seriam o sistema de duas carreiras + arquétipo (que permite milhares de combinações), o protagonismo (personagens dos jogadores são feitos para brilhar, sua mecânica é diferenciada e mesmo no nível inicial seu poder é bem suficiente, se fossemos comparar, um personagem inicial do novo Reinos de Ferro seria como um personagem de 5º a 8º nível no D20) e os Pontos de Façanha (que são utilizados para quase tudo, desde servir de combustível para habilidades das carreiras como para fazer efeitos realmente grandiosos). A soma desses três fatores geraram um mix muito interessante.


4 - Com relação ao blog Reduto do Bucaneiro... como foi a concepção inicial dele e como ele começou a ser desenvolvido? E continuando aqui, como ele acabou entrando em férias forçadas?

Comecei o blog em 2011 com meu amigo (que conheci através do fórum da Jambô) Josimar Dracônico. A ideia era apenas juntar o material para o grupo de jogo, para facilitar para a galera onde encontrar fichas, calendários, imagens e afins. Lembro que fizemos brainstorms para decidir um nome, quando eu falei Reduto do Bucaneiro, foi amor à primeira vista. Desde lá o blog foi crescendo, nos destacamos pela exclusividade, somos um dos poucos blogs que focam-se em apenas um cenário/jogo na blogfera rpgistica nacional. Hoje, quatro anos depois, temos uma comunidade bem estabelecida, um staff com quase 15 pessoas que juntas fazem o Reduto continuar ativo. Eles são mais que bucaneiros, são amigos distantes. Sobre as paradas, bem, tive 3 férias forçadas: A primeira estava estudando para vestibular na federal, a segunda foi meu descontentamento com o sistema, eu tinha desencanado de jogar Reinos de Ferro, mesmo depois de ver adaptações, nenhuma me agradava (Savage Worlds parecia ser minha salvação, mas ainda não tinha sido lançado) e a terceira foi por motivos da vida adulta (emprego, relacionamento e afins). Mas estamos de volta, mais ativos do que nunca!

5 – O blog está de volta... como foi o processo de volta? O que acabou determinando ou possibilitando que ele voltasse à ativa? Como está sendo o feedback desta volta?

Foi e ainda é complicado. No momento moro sozinho, passo quase 16 horas fora de casa diariamente, logo resolvi não ter internet, faço minhas postagens no horário de almoço ou aos finais de semana na cada da noiva. O que possibilitou? As pessoas que queriam que eu voltasse. O Dan Ramos, do Birosca, sempre falava para eu voltar. O Dmitri e o Sérgio, do Vila do RPG, sempre me deram apoio, isso sem falar nos Bucaneiros que tenho contato diariamente. Após esses problemas que disse, fiquei sem computador, para que o Reduto não parasse, os Bucaneiros organizaram uma mega vaca que me possibilitou continuar o serviço. Como disse, temos uma comunidade bem unida.

6 – Voltando para o sistema RdF... A Jambô abraçou o lançamento dele no Brasil e fez um belo trabalho com a edição anterior ao meu ver. O que tu achou, como conhecedor de RdF que é, fã trabalho da editora com o sistema aqui no Brasil?

Cara, eles fizeram um ótimo trabalho, um sensacional trabalho com o RdF d20, não fizeram mais porque a Privateer Press "não ajudou". Eles param de publicar matérias D20 e não deram mais suporte, até mesmo para conseguir fontes e imagens para novas matérias era uma verdadeira luta. RPG ficou esquecido para a PP por alguns anos, foi somente em 2012 que eles retomaram a linha. Sobre o novo Reinos de Ferro, bem, desde ano passado que eu tenho contato quase semanal com o Guilherme Dei Svaldi, ele tem ouvido meus conselhos e dá importância a eles. Alertei sobre a complexidade do jogo, possivelmente o jogo mais "parrudo" já lançado no Brasil. Tivemos problemas no processo, principalmente com terminologias, mas tudo se resolveu e o livro virá simplesmente perfeito.

7 – Uma das grandes reclamações que os fãs de qualquer sistema importado têm é que pouca coisa do que é lançado lá fora acaba tendo condições de sair no Brasil também. O que da edição anterior teria de ter sido lançado por aqui? Vocês têm intenção de lançar alguma coisa traduzida para deleite dos fãs?

Bem, difícil eu não responder isso sem ser tendenciosos...rs. Da linha D20 o que teria sido muito bem vindo era o Monsternomicon Vol. 2, o bestiário que fala sobre o lado oriental do continente, e mais matérias na No Quarter através da revista Sem Trégua. Bem, nós abandonamos traduções de material D20, mesmo possuindo autorização para fazê-lo. Eu precisava focar o blog e por isso decidi. Se eu encontrar um Bucaneiro que queira ajudar e tenha interesse em traduzir, nos postaremos. Sobre a nova linha, ela está bombando. Já saíram 2 suplementos menores (guia para jogos urbanos e bestiário) e a "nova edição" do guia do mundo. Além disso, temos muito material gratuito, muitas matérias na revista No Quarter e romances. Eu tenho selecionado quais as melhores e mais uteis matérias e deixando tudo no jeito para a Jambô. Os fãs brasileiros podem ter certeza de uma coisa: Não falta suporte para seus jogos, eu garanto.

8 – Uma questão bem específica.... Por que jogar Reinos de Ferro?

Pergunta difícil, afinal, seria o mesmo que perguntar "porque jogar RPG?", mas vamos lá. Jogue Reinos de Ferro para ver o equilíbrio perfeito entre o "corriqueiro" e o "fantástico". Jogue Reinos de Ferro para viver intensamente aventuras incríveis com seu personagem, seja no campo de batalha, seja num saloon, seja duelando ou se embrenhando em meio florestas com cultos sanguinários. Reinos de Ferro é um jogo com dezenas de faces, mas todas se encaixam com perfeição, evitando o máximo de lacunas. Os produtores da PP tinham uma meta quando lançaram a Trilogia do Fogo das Bruxas e por consequêcia o Guia do Jogador dos Reinos de Ferro: Fazer o melhor material de RPG possível. Eles receberam muitos (muitos mesmo) Ennies em ambas edições de seus jogos. Experimente, lhe garanto que não vai se arrepender.

9 – O que tu aconselharia à um novato que deseja ingressar no maravilhoso mundo de Reinos de Ferro?

Se desprenda do que conhece de Fantasia Medieval. Reinos de Ferro não é medieval, é um mix de vitoriano steampunk com um pouco de dieselpunk com clima de Guerra Fria e Grandes Guerras Mundiais. Esqueça elfos semimortais vivendo em paz, esqueça reis que são seguidos por magos mega poderosos, esqueça magia resolvendo tudo, esqueça cidades pequenas, esqueça homens que são mais que organizações, aconselho a pensar diferente. Não busque mais do mesmo, se permita ler e visualizar uma nova ótica sobre assuntos que você talvez seja familiarizado.

De modo prático, leia a aba Reinos de Ferro no blog do Reduto do Bucaneiro, veja um panorama básico sobre o jogo. Depois leia as 10 dicas Repaginadas também no blog. Após isso, comece a jogar, não se preocupe em conhecer demais, você aprenderá enquanto joga. E saibam, sempre estou disponível, nunca deixem alguém sem resposta.

10 - Quais são os planos da Privateer e Jambô para o futuro?

A Privateer Press lança em 2015 o Iron Kingdoms Unleashed. Resumindo, é o "mesmo jogo", porém focado na parte selvagem do cenário. Novas carreiras, raças não humanas, bestas de guerra, monstros e muito mais. Ele promete ser um jogo incrível, permitindo um jogo mais "selvagem e brutal" dentro do mesmo cenário. A Jambô está empolgada, pelo que sei a equipe está motivada, todos estão focados e o futuro depende do retorno e aceitação. Nós do Reduto estamos auxiliando no que é possível até o momento, mostrando o que pode ou não funcionar, o que deve ou não ser lançado e por onde começar, logo, acho que ano que vem teremos ao menos uns dois suplementos por aqui.

11 - Gostaria de deixar um recado para os fãs do cenário e fãs do seu blog?

Antes de tudo, obrigado pelo carinho. Tento de verdade dar suporte e atenção para a galera, tento ser um cara de verdade por trás de uma conta virtual. Agradecimento especial para os bucaneiros do Staff que sempre estão disponíveis para revisar uma matéria ou traduzir algo, sempre dispostos a ajudar dentro e fora do jogo. Obrigado ao pessoal da Jambô pelo reconhecimento e obrigado a você por esse espaço. Nossos planos são grandes, queremos expandir o Reduto e criar sua loja virtual para venda de camisetas e canecas, além de criar um canal no youtube para vlogar sobre o jogo. O futuro é interessante.... "Vida Longa do Reduto e seus Bucaneiros".

Quer saber tudo sobre os jogos da Privateer Press: Reinos de Ferro, Warmachine, Hordes e outros? Acompanhe o www.redutodobucaneiro.com.br"

4 comentários:

Rafael Araujo disse...

Muito, muito, muito obrigado mesmo pelo espaço!

João Brasil disse...

É apenas reconhecimento de muito esforço e trabalho!!!!

Leonam disse...

É isso ai Bucaneiro. O Reduto levando aventura, caos, fuligem e muita, muita aventura mesmo a todos.

pj.disouza disse...

Vida longa ao Reduto e seus Bucaneiros ;)