terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Críticas ao vídeo do arqueiro Lars Anderson de todo lado


Críticas ao vídeo do arqueiro Lars Anderson de todo lado

De forma muito ruidosa tivemos a invasão de um vídeo do arqueiro Lars Andreson apresentando uma perícia aparente descomunal no seu trato com a arquearia. Ele apresentava um uso extremamente veloz do arco em um vídeo empolgante. Um eco de adoradores de última hora surgiu e todos ficamos impressionados. Ele é rápido, com certeza, mas os especialistas dizem que é só! O site americano Nerdist, um dos maiores da comunidade nerd americana (e acho que mundial) foi atrás de especialistas que acabaram por colocar por terra a maior parte do que se achava sobre Lars.

Com o título de “Did that danish Archer fool the Whole internet?” Kyle Hill buscou a análise de Jim MacQuarrie, do site Geekdad. Anderson é realmente rápido (se velocidade for um objetivo) sendo capaz de disparar muitas flechas em um ritmo muito rápido. Mas ele diz que a edição do vídeo nos engana ao não termos a real noção da quantidade de tentativas e falhas do arqueiro. Além disso, a quase totalidade das tentativas são de uma distância muito curta, inferindo que qualquer coisa à mais de vinte metros não seria tão fácil de se acertar quanto parece.

A narração é “incrivelmente imprecisa, enganosa e hiperbólica escrita por alguém com pouco ou nenhum conhecimento real da história do arco e flecha”. No texto MacQuarrie desmonta os elementos narrativos do vídeo. Um dos exemplos é sobre a suposta técnica esquecida dos índios nativos americanos Yahi que não é tão esquecida assim e ainda é praticada. Outro ponto da narração que o autor refuta é quando é dito que atirar em um alvo fixo era “algo que era desconhecido no passado”, o que seria um absurdo completo com os exemplos que ele demonstra. Se pensarmos em caça, por exemplo, ela estaria em movimento e se fosse uma lebre, mais rápida ainda. Mas em combates campais o movimento de tropas à pé era quase desconsiderado. Já o das tropas à cavalo eram rápidos sim, mas com uma bela área para acertar as flechas.

Outra informação que ele refuta são sobre a posição da flecha do lado esquerdo do arco, que seria um a imposição da forma de olhar para um alvo estacionário, já que o arqueiro faria a mira com o olho, enquanto aponta a flecha. Errado. Na verdade a posição da flecha do lado esquerdo do arco é uma quase imposição do chamado paradoxo do arqueiro (que eu comentei dias atrás na postagem sobre Arquearia).

Mais adiante, depois de muitas outras considerações, MacQuarrie comenta sobre a errada informação histórica da evolução da forma de se segurar as flechas e dos absurdos ditos por Lars sobre como as flechas caíam quando o arqueiro corria ou pulava. Historicamente, seja pela iconografia, seja por relatos, sabemos que essa era a regra tanto na Europa quanto no Oriente próximo e extremo. O ato de segurar várias flechas na mão para acelerar a velocidade dos disparos era muito mais raro do que se imaginava.

Mas um dos erros mais graves é com a postura de Lars. Na narração é dito que “arqueiros modernos usam apenas uma mão, mas, no passado, alguns arqueiros supostamente usavam as duas mãos para dar à flecha mais poder”. Isso é um erro primário de técnica de uso do arco. A forma correta de uso do arco, não importa se curto ou longo, é aplicar a força da puxada nas costas e ombros, fazendo o movimento com o cotovelo elevado acima da linha do ombro.

Muitas outras informações técnicas são apresentadas ali, muitas das quais eu não tenho conhecimento para confirmar, mas sabe-se que muitos especialistas e historiadores ligados à militaria antiga e medieval ficaram estarrecidos com as informações e práticas apresentadas ali. Falando como historiador, fica um alerta para que as informações adquiridas via internet, principalmente de fontes não especializadas, sejam analisadas e pesquisadas. Falando como rpgísta, esse vídeo pode ser muito interessante como fonte criativa para nossas aventuras e estórias, mas só. Rpgístas têm a incômoda mania de criar e sustentar dogmas e mitos por seres simplesmente “rpgístas”.

Fontes:

5 comentários:

Pan Veritrax disse...

Hum... ok... o vídeo tem mesmo muitos erros em relação à história e a prática da arqueria. Ele é tendencioso e propagandistico. Mas... os críticos também são. O problema é que hoje, na arqueria, se você não segue a técnica e o modelo olímpico coreano você está fazendo errado. E, enquanto isso, muitas técnicas tradicionais "erradas" são praticadas com bastante eficácia. Técnicas de tiro rápido são para curtas distâncias. E veja a técnica mongol onde a flecha fica do lado direito do arco para um arqueiro destro... onde está a exigência do paradox do arqueiro agora hein???... Tudo isso é muito mimimi... o que importa mesmo é por a flecha no alvo... =)

João Brasil disse...

Obrigado por ler a postagem Pan Veritrax....

Bom, não concordo contigo... As queixas quanto ao vídeo são muitas.... vamos ver só algumas aqui pois pretendo outra postagem mais aprofundada e com entrevistas, se der tudo certo e eu tiver tempo....

Em primeiro os dados históricos errados, não posso afirmar se manipulados ou simplesmente omitidos, mas errados.... Em segundo, quanto à técnica, não estão reclamando quanto à sua técnica em comparação à arquearia olímpica moderna, mas quanto à arquearia antiga ou como um todo, que ELE simula fazer...

Não fui contrário à visão de que a técnica de tiro rápido seja para curta distância...isso é bem óbvio, mas ele generaliza para todas as distâncias (ou omite em alguns momentos)...

Quanto ao paradoxo do arqueiro é uma questão de LÓGICA e de física básica... se o disparo for à curta distância a influência do paradoxo é muito menor, mas mesmo assim influencia a precisão sim e sem mimimi (além de que arqueiros mongóis não estão entre os historicamente mais habilidosos)...

Se para ti, como disseste, o que importa mesmo é por a flecha no alvo, deveria dar um pouco mais de atenção à esse "mimimi" e analisar um pouco mais profundamente! Muitos textos técnicos foram lançados (com e sem vídeo) para elucidar o caso....

Fico impressionado como as críticas são simplificadas em "mimimi", ou "inveja", ou tantas outras coisas sem cabimento...

Como já disse em vários fóruns e debates em alguns grupos (e não quer dizer que porque eu falei esteja 100% certo), mas produzir um vídeo (ou qualquer outra coisa) e publicá-lo te coloca numa posição de ser analisado e criticado (positiva ou negativamente).... Em segundo... ele ser rápido e habilidoso não o transforma em um ás da arquearia, tampouco o transforma em uma fraude por causa desses erros. Mas seu vídeo com erros pode (e deve) deixá-lo na mira de críticas....

Obrigadão mais uma vez.... se quiser podemos bater mais papo pelo Face!!!

Abração!

Eduardo disse...

Se for para descrever Lars, eu diria que ele é apenas um arqueiro de circo, a habilidade dele é impressionante, mas é só isso. O arco que ele usa possibilita atirar flechas em tempo recorde mas só conseguem perfurar isopor, espuma e balões.

Pan Veritrax disse...

Hahahaha =D... boa =D... o Lars, o Byron, o Hill e outros arqueiros desse tipo parecem mesmo artistas de circo por todo sensacionalismo ao redor deles... =)

Mas ainda acho esses caras fodas... =)

Acho que meu comentário foi mau compreendido e até um pouco distorcido... mas... ok... =)

Gostei do artigo. Resumiu o que os especialistas andam dizendo. Bem bacana... =)

Não to defendendo o Lars. E nem os críticos. Existem erros nos argumentos de ambos. Até no comentário ai em cima. Mas tudo bem... é cada um defendendo seu ponto de vista... =)

Mas a critica a um erro histórico ou técnico que usa como argumento outro erro histórico ou técnico não merece, da minha parte, muito crédito. Pra mim, como observador externo, parece sim puro mimimi... hahahaha... =D

Então, ao meu ver, os especialistas poderiam ter feito melhor... =D

E veja... o vídeo do Lars é tendencioso e propagandístico. Sim. Tipo aquele do Byron com o Stan Lee. E tantos outros desse tipo. Existe alguma verdade ali e o cara tem o mérito dele. Mas tem gente que leva isso tudo a sério demais... =D

Mimimi de povo estressado... =D

João Brasil disse...

Opa....gostei da comparação com o circo, Eduardo...

Pan Veritrax, que erros cometi no comentário... sem stress, não quero parecer impertinente, mas se cometi algum gostaria de desfazer o mal-entendido e arrumá-lo ou contra-argumentar!