quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Dragão Brasil #113 chegou... o que achamos dela?

A Dragão Brasil #113 chegou..
... o que achamos dela?


Está é uma seção que eu nunca achei que faria na Confraria de Arton - resenha das edições da revista Dragão Brasil. Para quem não sabe o por quê deste sensação explico rapidamente. A revista Dragão Brasil iniciou sua trajetória em 1994, quando o RPG ainda engatinhava no Brasil. Rapidamente ela foi se tornando sinônimo de material de qualidade, não que não houvessem outras esparsas ótimas publicações dedicadas à este hobby ao longo dos anos, mas ela centralizou por ‘n’ motivos a atenção dos rpgistas, garantindo uma vida longa. Foram 123 edições até agosto de 2007.

A Confraria de Arton inaugurou suas atividades em fevereiro de 2008, ou seja, poucos meses depois do fim oficial das atividades da Dragão Brasil. Inclusive o fim da circulação da revista foi um dos motivos que me fez pensar em lançar um blog, mas esta é uma outra história. Desta forma fica claro que a Confraria nunca teve o prazer de resenhar a DB... até hoje.

Vamos lá? Antes de tudo vou explicar como pretendo analisar a revista. Darei notas de 0 á 10, podendo a nota ser quebrada em meio (exemplo 2,5 ou 5,5 ou 8,5 e assim por diante). Seções como Notícias do Bardo e Pergaminhos dos Leitores, e outras que venham a surgir posteriormente de mesma natureza, eu não concederei nota, mas farei igualmente uma avaliação. Ao final farei uma análise do todo com uma nota que será a média geral das notas dadas!


Capa – Nota: 10
A arte de Caio Monteiro é uma clara homenagem não apenas ao nome da revista, mas a primeira e histórica edição de ‘94. Ela trás a mensagem do que o leitor verá quando folhar suas páginas – RPG e Tormenta. Ela é o maravilhoso wallpaper que muitos dos financiadores (eu, por exemplo) ganharam junto de sua edição.


Notícias do Bardo & Pergaminhos dos Leitores – Nota: s/n
Aqui temos algumas coisas à serem ditas. A primeira, e mais importante na minha opinião, são os temas da seção Notícias. Uma de minhas primeiras preocupações quando soube da volta da DB sob a tutela da editora Jambô era de como seria o tratamento quanto às outras tantas e ótimas editoras de RPG do mercado brasileiro. Ora, não sejamos ingênuos pensando que o RPG não é visto como negócio, e DB sendo lançada pela Jambô tem um papel e interesse quanto à isso. Pois esta foi uma grata surpresa, pois muitas editoras (concorrentes, mesmo que amigas) foram citadas. Outra ponto interessante foi a possibilidade que uma edição digital nos proporciona de termos acesso à links diretos nas matérias lidas.

Já o Pergaminhos dos Leitores não teve pergaminhos, muito menos leitores. Foi uma espécie de jogral de duas páginas apresentando Paladinos variados. Particularmente não gostei, pois esperava ver já nesta edição a interação da revista com seus leitores – algo que poderia ter sido facilmente preparado desde seu anúncio. Vamos ver como será na próxima edição.


Resenha: Dados e Homens – Nota: 10
A primeira matéria propriamente dita tinha de ser assinada pelo Trevisan e nada melhor do que uma resenha sobre um grande livro que destrincha os primórdios conceituas de D&D. Ele toca diretamente no ponto apresentando ao leitor uma chave de leitura digna de sua experiência como rpgista e participante ancião do primeiro período da DB.


Sir Holland – Nota: 7,5
Na média...


Dicas do Mestre: Primeira Aventura – Nota: 8
A típica seção que todo o blog que se preza possui dentre as suas tags. Com este “novo” nascimento da DB ela tem a clara preocupação de abraçar os novos rpgistas, que estão surgindo à cada ano. A preocupação aqui é de como dar seus primeiros passos neste maravilhoso hobby, mas com uma visão moderna própria do século XXI. Mas sem querer desmerecer a seção, ela é um pouco senso comum (embora nada errado com isso), visando, em última análise, apresentar uma série de canais de RPG por stream, seguido de uma lista de sistemas e títulos atuais do mercado. Particularmente acho que ela poderia ter focado diretamente nos canais de RPG e como eles poderiam ser utilizados no aprendizado dos novatos.


3d&T: O céu é de Ninguém – Nota: 10
Bruno Schlatter, autor desta matéria, foi anunciado como um dos maiores entendedores do sistema 3d&T, e o elogio não foi exagerado. Ele nos presenteia com um texto que para mim é a alma de toda a revista de RPG que se preze e sua principal função – apresentar material jogável de alta qualidade. Com uma adaptação dos conceitos do game No Man’s Sky para o sistema 3d&T, somos presenteados com um ótimo material repleto de recursos para vivermos aventuras pelo universo à fora. Fazendo referência, sempre que necessário ao material já lançado pela editora, com direito à links, temos um ótimo número de novos recursos para aventuras ainda mais surpreendentes. É um ótimo material para começar a ser arquivado para um verdadeiro banco de dados sobre o sistema.


Gazeta do reinado – Nota: 9,5
Em época da Dragon Slayer está era uma das minhas seções preferidas. Como eu já disse, a função máxima de uma publicação de RPG é garantir material para os jogadores e a Gazeta é pura informação relevante para novas aventuras ou longas campanhas. São 5 plots interessantes e facilmente utilizáveis. Uma crítica minha, possivelmente por puro pedantismo, é que a Gazeta do Reinado poderia ter o visual de um verdadeiro jornal, com separações de suas matérias em caixas delimitadas, e não sob a forma de colunas contínuas. Daria um ar mais verdadeiro à proposta de “jornal” desta coluna.


Brigada Ligeira Estelar: A Voz do Sabre – Nota: 10
A proposta da Voz do Sabre é a mesmíssima da Gazeta do Reinado, e aprovo cem por cento. Tanto por ser uma fonte de plots, quanto por ser um cenário muito querido por mim. Alexandre Lancaster, a mente pensante e criadora deste cenário futurista de 3d&T, não perde o tom em criar quatro plots muito interessantes (adorei o plot dos atentados em Alabarda). Mas vocês podem me questionar sobre o por quê de eu ter concedido nota 9,5 para a Gazeta e 10 para a Voz, já que ambas têm o mesmo designe. Ora, a proposta de um jornal, como a Gazeta, precisa de um elemento visual mais compatível, enquanto para a Voz, tal qual um periódico futurista, fica compatível com colunas contínuas.


Monster Chef – Nota: 9
Seção imprescindível para uma revista de RPG. Uma fonte de monstros e antagonistas é muito importante para os mestres e grupos de plantão, e esta criatura, baseada no programa de mesmo nome, foi uma ótima primeira matéria. Espero que traga coisas novas e que não se restrinja em copiar o que foi criado no canal, para proporcionar assim mais e mais material.


Especial: o melhora da Dragão Brasil – as edições favoritas de seus editores favoritos – Nota: 8
Matéria histórica sobre as lembranças e preferências dos editores da atual Dragão Brasil, sobre as edições históricas da antiga DB. Vale pela curiosidade de pessoas como Trevian, Cassaro e Saladino, por sua participação efetiva na criação de tais edições. As escolhas de Guilherme, Brauner e Caldela, valem pela visão de fãs que eles tinham quando de suas escolhas.


Dedicação – Nota: 10
Embora a seção não receba o nome de Contos ela é claramente a antiga seção renascida das cinzas, e em Dedicações ela renasce com toda a qualidade. Embora sempre fiquemos com um gostinho de ‘quero mais’ ela tem o tamanho e o tom certo, atingido com a qualidade habitual encontrada nos textos do Guilherme Dei Svaldi. Espero ansioso os próximos.


Renascido das Trevas - a volta de Vampiro: a máscara – Nota: 10
Eva Cruz Andrade é o rosto feminino desta edição, onde fala daquilo que ela conhece muito bem – o mundo das trevas. Embora seja um texto histórico/informativo no melhor estilo ‘matéria de jornal’, é impossível não percebermos seu conhecimento e paixão pelo sistema que dominou os anos noventa e que está meramente em torpor. O que importa é dizer que Vampiro: a máscara está voltando com tudo e esperamos ter mais matérias (mais aprofundadas e jogáveis) escritas pelas mãos da Eva.


Ganchos de Aventuras! – Nota: 9,5
Ganchos e ganchos e mais ganchos.... um baú cheio de ganchos. Este é um verdadeiro tesouro para os mestres. A falta de ideias pode ser um problema pontual em meio à um a sessão que pode ser facilmente resolvido escolhendo aleatoriamente uma das 113 opções desta seção. Os primeiros 88 ganchos são da dupla Leonel Caldela e Gustavo Brauner. As outras 25 são criações de uma série de fãs e leitores. A única ressalva aqui é de que com relação aos temas dos ganchos. A grande maioria deles é próprio para cenário de fantasia, ou pelo menos são ‘coringas’. Mas alguns poucos são claramente para um cenário futurista. Ao meu ver o ideal seria, quando nesta mescla, separar os ganchos por temas, para facilitar quem estiver procurando ajuda.


Tormenta: o avanço implacável da Tormenta – Nota: 10
Jamil, ainda o único kender de Arton, é verdadeiramente um fã apaixonado pelo sistema. E ninguém melhor do que ele para contar a história deste maravilhoso cenário (um dos motivos para eu ter criado o blog com o sugestivo nome Confraria de Arton) totalmente nacional e que beira duas décadas. Com texto fluido e cheio de referências históricas, de dentro e fora do cenário, ele nos leva à uma jornada que começa na histórica edição #50 da DB até o lançamento do Mundos dos Deuses.


Lado B do RPG – Nota: 10
Esta seção me pegou de surpresa. Muito bem escrita por Eduardo Caetano, ela apresenta o RPG Sertão Bravio dando pinceladas em sua mecânica bem como jogabilidade, deixando-nos com vontade de ir mais à fundo no sistema apresentado. Seções como essa são importantíssimas para o futuro do RPG, dando incentivo e visibilidade para projetos que, muitas vezes, podem se perder no mar de projetos em meio à internet. O cenário indie agradece!


Chefe de Fase: Thaethnem Taheldariem – Nota: 8
Outra daquelas seções importantíssimas para os mestres e mesas de RPG de plantão que precisam de uma mãozinha. Como não se apaixonar por esse elfo que vivencia a mesma dor de sua deusa, Glórien, sentindo-se culpado por um fato ocorrido. Ele segue a visão de muitos dos elfos do cenário – pária, sem lar, deprimido e atrás de vingança. A matéria vem com fichas para Tormenta RPG (óbvio) e D&D 5E. Mas isso foi pouco. Tenho certeza que haveria espaço para mais adaptações, como 3d&T e outros tantos cenários de fantasia do mercado, ao invés de apostar em um sistema que nem foi traduzido ainda (embora seja muito jogado).


Comentários – Nota: 8
Para quem apoiou o projeto a partir de um valor específico, recebeu sua DB com o que seriam comentários dos editores. Confesso que não sabia muito bem o que esperar. Nesta edição #113 vieram dois comentários: um do Guilherme, sobre seu conto, e outro do Trevisan, sobre a matéria do Jamil sobre a história de Tormenta como um cenário. Pelo teor desta seção ela deveria ter um link direto em cada matéria direcionando para os comentários. Ao meu ver seriam muito mais uteis se diretamente na matéria, embora isso impossibilitasse de que fossem separadas por tipo de pagamento e acabariam fazendo parte do corpo da publicação. Minha primeira impressão era de que teríamos comentários e links espalhados por toda a publicação com notas rápidas dos autores (tal e qual edições comentadas de filmes) com referências, particularidades, detalhes, curiosidades etc.


Crítica Geral – Nota: 9

Sempre fico apreensivo na hora de fazer uma crítica dentro do universo rpgístico pois, como bem sabemos, elas são quase sempre mal recebidas, não pelo alvo da crítica, mas por seus fãs e seguidores. Vou me arriscar e dizer o que penso aqui, amparado por não dar a mínima para os haters, ou pelo fato de conhecer o irmãos Dei Svaldi à nem sei quantos anos (o Rafael eu conheço desde que ele batia no meu ombro quando a Jambo não tinha nada à ver com RPG) e pelo motivo de que sei que críticas, para quem produz material relevante, são importantíssimas para o desenvolvimento.

Vou começar dizendo: A Dragão Brasil #113 é uma ótima revista de rpg, mas não é a Dragão Brasil. Como revista dedicada ao RPG a DB #113 tem uma ótima qualidade tanto de material escrito quanto de material relevante para o hobby, em muitos níveis. Ela veio ocupar um espaço que é importante que não esteja vago. Foram muitos anos sem um periódico dedicado ao RPG e todas as suas nunaces, e sua cehgada garantirá acesso e desenvolvimento de muitos novos jogadores (e veteranos também).

Ao mesmo tempo ela não é a DB (como a conhecíamos) e nunca será. Originalmente a Dragão Brasil surgiu numa época e que o RPG engatinhava e que era quase impensado termos nas bancas uma publicação dedicada à um hobby tão, palavras da época, estranho. A DB viveu por um longo período com a pressão de ser uma importante revista de RPG, mas sem a pressão de ter de dedicar-se à A ou B. Ora, não sejamos ingênuos em pensar que RPG não é um negócio. Ele tem de ser (pelo menos para as editoras) ou não teríamos editoras que se sustentassem produzindo material de tão alta qualidade, relevância e periodicidade para nós. Ser negócio não diminui o amor que todos têm pelo RPG (inclusive as próprias editoras). Apenas faz com que tenham uma visão diferente. E esta é a diferença que me fez lançar a frase em destaque anteriormente.

A Dragão Brasil, em sua fase clássica, teve um enorme cuidado com sua qualidade e produção, mas podia se dedicar – da forma que preferisse – à qualquer sistema, lançando adaptações, versões, cenários, críticas, resenhas, inovações ou o que quer que desejasse. Já está nova fase da DB, iniciada com está edição 113, vem tutelada por uma editora que produz RPG, dentre tantas outras ótimas coisas. Ora, nada mais claro e óbvio que o grande mote desta nova fase seja centrado em suas produções próprias. Como disse, RPG é negócio e não há nada errado nisso. É uma visão clara de mercado que com toda a certeza renderá frutos para os amantes de seus cenários e sistemas (eu, por exemplo). Mas é uma coisa que deve ficar clara. No final das contas ela está muito mais próxima da Dragon Slayer do que da Dragão Brasil original.

Lógico que daqui duas ou três edições ou possa ter que engolir minhas palavras com a DB lançando muito material adaptado para outros sistemas de fora de suas prateleiras (D&D não conta)... e as engolirei com prazer. Mas o certo, por hora, é que a DB será um ótimo suporte principalmente para material produzido pela própria editora. Um suporte de qualidade e relevante que enriquecerá os cenários e sistemas com os quais a editora trabalha.

E tudo isso não diminui em nada a qualidade desta edição, cuja nota geral foi 9. Confesso que ainda prefira publicações físicas (ok, sou velho), mas a experiência com esta edição digital não foi ruim. Notamos o cuidado de sua produção para uma agradável leitura no computador, bem com a facilidade que os links nos proporcionam para expandir nossa experiência de leitura. Embora tenha sentido falta de matérias sobre Reinos de Ferro e Mutantes e Malfeitores (ambos da editora), podemos considerar que para uma primeira edição ela trabalhou muito bem com os carros-chefes da editora no momento – Tormenta RPG e 3d&T. Prevejo um ótimo futuro para a Dragão Brasil e espero que ela dê ênfase para os novos mestres com matérias mais dedicadas à construção de cenários e à atividade de mestrar em si.

Não há dúvida de que continuarei apoiando este projeto e me deliciando com suas páginas... Faça o mesmo AQUI!


4 comentários:

Bruno Araujo disse...

Tive a mesma impressão de que a revista não largou o DNA de Dragonslayer. E talvez seja até melhor assim, já era uma versão mais moderna da Dragão. Pode não ser a versão que a gente sente saudades e pega pra ler e reler no armário, mas é a versão que tem pra agora e que dialoga com as novas formas de transmissão de informação.

Pois é, achei que pecou na falta da ficha para 3D&T, ainda mais com o Tormenta Alpha. Ainda assim, o material da 5th é aproveitável para quem não joga em Arton.

João Brasil disse...

Exatamente... A fórmula da DS era e é muito interessante e responde muito bem à algumas das necessidades do universo rpgista atual.... Quanto à fragmentação dos sistemas cobertos pelas matérias espero que eles usem a reação dos leitores para equilibrar melhor isso!

Artur Borges disse...

Pelo que eles mesmos falaram em um comentário, eles não podem trabalhar pelas outras editoras, ou seja, eles dependem de outras editoras fornecerem material de qualidade para os sistemas deles, e eles publicarão com prazer. No fundo, acho justo: a editora ganha uma publicidade gratuita, e a DB ganha a contribuição dos leitores como "pagamento" pela publicidade.

João Brasil disse...

Artur... por isso mesmo é que apontei as diferenças enter DB clássica e esta nova versão. Concordo que matérias mais aprofundadas possam requerer (algumas vezes) um autor mais próximo de um sistemas... Mas isso não foi um empecilho naqueles tempos antigos... No mínimo adaptações de fichas seriam algo simples para grupo de rpgistas tão experientes quanto estes que estão empenhados nesse projeto, ou teremos que acreditar que eles não podem falar sobre ou sistema fora o deles mesmos... Claro que não... Também acho justo (como disse na matéria) pois RPG é um negócio e precisa ser tratado assim por alguns... Não podemos achar que existam pessoas (o que é uma pena) que tratem o RPG como uma luta idealista querendo que ele cresça e se desenvolva da melhor forma possível por ser o certo a ser feito!